Camila Mileke Scucato é entrevistada em Smart City 2025, em Santiago do Chile 25/07/2025 - 13:31

Quando nasceu o conceito de cidade inteligente em Curitiba?

Curitiba foi pioneira em planejamento urbano desde a década de 1970, com políticas de mobilidade sustentável, reciclagem e transporte público integrado. Embora o termo "cidade inteligente" seja mais recente, sua implementação começou de forma mais estruturada na última década, com a adoção de tecnologias digitais na gestão urbana, especialmente a partir de 2016, quando foi lançado o Vale do Pinhão, um ecossistema de inovação que promoveu políticas para tornar Curitiba uma cidade inteligente e inovadora.

Quantas pessoas uma cidade inteligente impacta?

No estado do Paraná, projetos de cidades inteligentes têm o potencial de impactar mais de 11 milhões de pessoas, que é a população total do estado. Curitiba, como capital, beneficia diretamente quase 2 milhões de habitantes. Mas os efeitos das estratégias inteligentes se estendem a outras cidades paranaenses que estão adotando soluções tecnológicas, como Londrina, Maringá, Pato Branco, Cascavel e Foz do Iguaçu.

Como o Estado se organiza administrativamente em torno da cidade inteligente?

O Governo do Estado do Paraná coordena a questão por meio de diferentes frentes: Secretaria de Inovação, Modernização e Transformação Digital – coordena as políticas governamentais de digitalização e inovação pública.  Paranacidade – vinculado à Secretaria de Estado das Cidades -,  presta apoio técnico aos Municípios em projetos de desenvolvimento urbano. Além disso, promove-se a coordenação multinível, na qual o Estado apoia os Municípios na concepção e implementação de políticas de cidades inteligentes.

Em que áreas eles desenvolveram uma cidade mais eficiente?

As principais áreas de desenvolvimento inteligente no estado do Paraná incluem: Mobilidade urbana: sistemas integrados de transporte, aplicativos de mobilidade, semáforos inteligentes. Gestão de resíduos: sensores, rastreabilidade e plataformas de reciclagem. Educação digital: plataformas de aprendizagem, salas de aula conectadas e robótica educacional. Governo digital: serviços públicos online, transparência ativa e participação cidadã. Segurança: videomonitoramento inteligente e centrais de comando integradas. Meio ambiente: sensores de qualidade do ar, energia renovável, monitoramento climático.

Quais projetos estão em desenvolvimento?

Diversos projetos estão em andamento no estado, incluindo: Paraná Smart Cities: iniciativa estadual para incentivar mais municípios a adotar tecnologias e modelos de cidades inteligentes. Vale do Pinhão (Curitiba): continua em expansão, com hubs de inovação, espaços públicos de coworking e aceleradoras. Sudoeste Smart Cities (Pato Branco): projetos em mobilidade, governo digital e gestão de dados urbanos. Maringá Smart City: plataforma de dados urbanos, iluminação pública inteligente e monitoramento ambiental. Londrina Smart City: destaque para tecnologia cívica, saúde digital e controle de zoonoses usando IA.

Existem empresas que desenvolveram tecnologia para os desafios que você enfrenta?

Sim, diversas empresas e centros de inovação do Paraná estão trabalhando em soluções tecnológicas. Alguns exemplos: Startups incubadas nos polos do Vale do Pinhão. Universidades como UTFPR, UEM e UEL estão desenvolvendo tecnologias para saúde, agricultura de precisão e cidades resilientes. Parques tecnológicos como os de Maringá, Londrina e Foz do Iguaçu promovem a conexão entre pesquisa e demandas públicas. Além disso, há uma parceria crescente entre os setores público e privado para o desenvolvimento de GovTechs, plataformas de dados abertos e soluções de inteligência artificial para melhorar a vida urbana.

Sim, empresas chilenas são muito bem-vindas no estado do Paraná. Estamos abertos a aprender sobre novas soluções tecnológicas que respondam aos desafios urbanos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Há um espaço significativo para colaboração internacional, especialmente em temas como mobilidade sustentável, gestão inteligente de resíduos, energia renovável, digitalização de serviços públicos e cidades resilientes.

O Governo do Estado do Paraná valoriza alianças estratégicas e está comprometido com a inovação. Portanto, iniciativas que promovam transferência de tecnologia, cooperação técnica ou a implementação de projetos piloto podem ser altamente receptivas, especialmente se estiverem alinhadas com políticas públicas e tiverem impactos concretos para os cidadãos.

Minha experiência na Cidade Inteligente de Santiago tem sido muito enriquecedora. É um espaço de troca de conhecimento, onde são apresentadas soluções reais para os desafios que nossas cidades enfrentam. Isso me permitiu aprender sobre iniciativas inovadoras, conectar-me com stakeholders estratégicos e refletir sobre como podemos caminhar para territórios mais resilientes, sustentáveis e inclusivos. Com esta segunda edição do evento, Santiago dá um passo muito importante ao se consolidar como referência regional de debate e discussão.

Um conselho para Santiago no caminho rumo às cidades inteligentes seria priorizar uma governança colaborativa e centrada nas pessoas. As tecnologias são essenciais, mas devem estar a serviço dos cidadãos. É fundamental ouvir as comunidades, entender suas reais necessidades e promover a integração entre governo, setor privado, academia e sociedade civil. Só assim serão construídas cidades verdadeiramente eficientes, humanas e preparadas para o futuro.

(Entrevista concedida à Organização do Smart City 2025, em Santiago do Chile)